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Brasileiro - Crônica Final
Considerações Gerais - Muito aconteceu desde a última crônica que escrevi sobre o Campeonato Brasileiro. O fato é que é extremamente difícil atualizar um blog ao mesmo tempo em que se disputa uma competição. Palmas incessantes de dois minutos ao Krikor, que consegue não só fazer isso, mas disponibilizar informações gerais, análises, posições no live ratings e tudo o mais. Um jogador profissional durante uma competição caminha em um estado de permanente tensão que dificilmente permite manifestações de criatividade em outras esferas que não a puramente enxadrística, salvo honrosas exceções. Da minha parte devo admitir que não consigo, mas tentarei saldar essa pequena dívida com uma crônica mais extensa que de costume, analisando tudo o que aconteceu no tabuleiro e também na organização do torneio. Já adianto que houve emoção e reviravolta em ambos os tópicos.
Como se sabe, o torneio terminou em uma surpreendente vitória para o jovem MI André Diamant. Surpreendente por sua posição antes do torneio, não pelo xadrez apresentado, já que ficou claro desde a primeira rodada que ele teria presença destacada. Mas reservei um tópico inteiro mais adiante para comentar o título de Diamant. Comecemos antes com comentários mais dolorosos para este que vos escreve.
Minhas partidas - Minhas chances de vitória foram desperdiçadas em dois momentos. O primeiro, e de impacto menor, foi o meu final com o Giovanni, na sétima rodada. Já estava claro naquele momento que meu adversário havia se recuperado da derrota contra Gattass e que era um sério candidato ao título, novamente. Em princípio, um empate de pretas seria um bom resultado. Após defender uma posição um pouco inferior durante o meio-jogo, obtive boas chances de vitória em um final de torre e cavalo x torre e bispo. Mas o apuro de tempo e uma mentalidade defensiva (é difícil jogar com tudo para ganhar depois de um tempo na defesa) me impediram de encontrar as continuações mais perigosas, em um final que era perigosíssimo para as brancas. O outro momento fatídico veio na penúltima rodada, contra Darcy Lima. Nosso conhecimento de abertura não foi exemplar, para dizer o mínimo, pois repetimos uma variante de abertura que está refutada para o preto há 30 anos, desde o match Karpov - Korchnoi. Infelizmente, mesmo tendo estudado detalhadamente essa partida quando criança, fui incapaz de me lembrar das análises e joguei muito mal. Caí em posição inferior mas Lima não jogou do jeito mais preciso. Em um dado momento eu poderia forçar o empate, mas não vi e entrei em um final inferior, que não consegui defender. A partida final joguei com o ânimo apenas de "cumprir tabela" e acabei empatando rápido com o Krikor, em uma posição em que ainda havia muita luta.
Sobre o Campeão - André Diamant é certamente o enxadrista brasileiro que mais progrediu em 2008. Basta comparar sua performance nesse brasileiro com o do ano passado. Ou com o torneio fechado realizado na Hebraica, ou em Santos. A viagem à Europa parece ter sido um divisor de águas em sua carreira.
Além disso existe uma aura que cerca um jogador em determinados eventos. O mesmo me aconteceu, por exemplo, em 96, quando fui Campeão Mundial Infanto-Juvenil. Um bom ambiente, a sensação liberadora de não ter nenhuma responsabilidade, confiança total durante as partidas. Quando conseguiu sua segunda norma de GM, ao empatar comigo na nona rodada, toda responsabilidade havia ficado para trás e Diamant pôde concentrar suas forças em buscar o título.
A dramática partida final, contra Giovanni, só pode ser explicada pela aura. Primeiro é preciso parabenizar o número 1 do Brasil por sua brilhante recuperação no torneio. Não é fácil jogar e conciliar a agenda de candidato à CBX, que dirá se recuperar do duro golpe que é perder para o último colocado (coisas do destino: Gattass, companheiro de quarto de Diamant, só fez esse ponto).
A partida esteve sempre no controle das pretas (Giovanni), em um tipo de posição que ele conduz muito bem (contra-ataque, que exige cálculo concreto e preciso). Certamente a posição estava ganha em algum momento. Enquanto todos davam como certa a vitória, um erro de cálculo no final fez a partida virar, e Diamant cordialmente aceitou uma oferta de empate em posição ganha (para desespero de Fier, que perdeu com isso a segunda colocação). Foi um título merecido, coroando um ano espetacular. Jogar na sinagoga fez muito bem ao Diamant... ou será que a sorte veio com o quipá que ele começou a usar no final do torneio?
Notas sobre a organização do torneio - No que diz respeito às condições de hotel e premiação, deve-se tecer grandes elogios aos organizadores do Brasileiro. O quarto do Master Express é sem exagero um dos melhores que já fiquei em toda a minha carreira. A premiação também foi elevada e deve-se ressaltar o torneio de blitz realizado no último dia, que distribuiu fartos prêmios para um evento de poucas horas. Entretanto, é preciso fazer algumas críticas para que as condições melhorem ainda mais. Alguns pequenos detalhes ficaram aquém do desejado, provavelmente por falta de experiência da Federação Gaúcha em torneios deste porte. Todos eles simples de resolver, se comparados com as questões mais difíceis de hotel e premiação, mas que somados causam um certo desconforto aos jogadores. Os pontos de desagrado estão na falta de um meio de locomoção dos jogadores até o salão de jogos, que ficava a seis quadras do hotel (fazer exercício é bom, mas num calor de 40 graus nem tanto, se chover menos ainda); o calor extenuante que muitas vezes foi sentido no salão de jogos (por razões que desconheço, o ar-condicionado raramente era ligado); não ter sido oferecido aos participantes pocket money para a comida, o que nos forçava a comer nos locais e horários escolhidos pela organização; e no fato de não ser disponibilizado um quarto de hotel para os jogadores que chegaram um dia antes e que saíram um dia depois, o que é praxe em torneios fechados desta envergadura.
Tenho convicção que a Federação Gaúcha se esforçará para resolver essas pequenas questões da próxima vez. Um agradecimento especial vai para Eduardo Medeiros, sempre cordial e próximo dos participantes.
Considerações Finais - Este foi o torneio mais importante do nosso calendário em 2008. Agora entramos em férias, brevemente interrompidas pelo Campeonato Brasileiro da Internet. O ano termina com um saldo positivo para o xadrez nacional, com diversas forças da nova geração aparecendo e incomodando os grandes-mestres que antes tinham pouca concorrência. Tudo isso contribui para que todos se esforcem e tentem jogar cada vez melhor. É bem provável que em 2009 tenhamos pelo menos dois novos grandes-mestres. Meus votos de que a nova presidência da CBX saiba fomentar esta evolução do xadrez brasileiro.
Escrito por axrl às 16h44
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Depois do churrasco do dia livre...

Fonte: Blog do IXC
Rafael segue líder em número de pontos.
Giovanni se recupera.
Diamant faz segunda norma de GM.
Os três somam 6,5 pontos.
Final segue indefinida.
Façam suas apostas!
Escrito por axrl às 16h11
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Confira as análises do MI Disconzi!
Escrito por axrl às 09h04
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