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Academia de Xadrez Rafael Leitão


Migramos para academiarafaelleitao.blogspot.com.



Escrito por axrl às 15h04
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Academia TV

Por alguma razão desconhecida, não estou conseguindo postar a primeira edição da Academia TV.

Vá direto ao youtube, assista e comente aqui. Jóia

http://www.youtube.com/watch?v=jlxkMW3UQP4&feature=channel_page



Escrito por axrl às 10h55
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Conheça o Blog do Nico Leitão!



Escrito por axrl às 15h42
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Sobre a nota da FGX


   Tornou-se pública há alguns dias a lamentável situação da maioria dos participantes da última Final do Campeonato Brasileiro, sem receber o que lhes é devido seja pela premiação do evento ou como ajuda de custo da viagem. O caso permaneceu durante mais de dois meses nos bastidores, aparentemente sem grandes preocupações para a FGX, já que a entidade praticamente não se pronunciou sobre o tema, a não ser para fazer promessas que não se cumpriram. Até o momento em que, segundo relatos de vários dos interessados, a FGX tornou-se incomunicável.

   Confrontado com a publicação dos fatos, o Presidente da FGX redigiu uma nota que, no seu entendimento, esclarece o que está acontecendo. A publicação refere-se a uma " uma nota que foi divulgada na internet " e pretende "esclarecer aos enxadristas gaúchos a realidade dos fatos e não deturpados em alguns pontos". Essa introdução não especifica a fonte dessas informações nem quais fatos acredita terem sido deturpados. Além disso, é curioso que ela seja endereçada aos "enxadristas gaúchos". Ela devia se dirigir aos enxadristas lesados e à comunidade enxadrística em geral.

   O teor da publicação resume-se em: 1- tentar reinventar o sentido da palavra calote; 2- apresentar as magníficas proezas da FGX em anos recentes, o que talvez sensibilize o coração e o bolso daqueles que não receberam; 3- apresentar um sem-número de motivos que levaram-na à inadimplência.

   Sobre o ponto 1, reproduzo o significado da palavra calote segundo o Moderno Dicionário da Língua Portuguesa, que pode ser consultado clicando aqui.

calote
ca.lo.te
sm (fr culotte, do jogo de dominó) 1 Dívida contraída sem tenção ou possibilidade de pagamento. 2 Falta de pagamento de uma dívida. 3 Logro.

   A própria FGX afirma estar em débito (quase 3 meses depois de terminado o torneio). Ao invés de tentar ensinar português, a FGX deveria aproveitar o tema "calote" para esclarecer se os pagamentos serão feitos com juros (cujo montante seria razoável). Vale a doação de um dicionário à sede da FGX, já que o mesmo dirigente que redige a nota mostrou anteriormente ter dificuldades com a palavra "regalia".

   Sobre o ponto 2 (bons antecedentes) nada posso comentar, já que não tive qualquer contato com essas monumentais proezas da FGX. Além do mais, assim como com o ponto 3 (motivos do não pagamento), eles simplesmente não vem ao caso. Um organizador sabe de suas responsabilidades ao arcar com um evento do porte de uma final de Brasileiro. Quem não pode com o pote, não pega na rodilha. Ao término do evento é preciso pagar a premiação, qualquer coisa aquém disso é inadmissível.

   Além do mais, conforme fiquei sabendo por uma fonte confiável da CBX, a entidade máxima no xadrez nacional fez um empréstimo, no dia de 2 de dezembro, para a FGX, no valor de 20 mil reais, empréstimo esse que não foi mencionado na "esclarecedora" nota da FGX.

   A reação da entidade gaúcha não serviu para nada além de arranhar ainda mais sua credibilidade.



Escrito por axrl às 17h05
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Notícias

 

   O Aberto de Itú foi realizado no último domingo em meio a um forte calor e uma extensa participação. Tão extensa que o número de rodadas não foi suficiente para promover todos os enfrentamentos dos jogadores com 100%. O primeiro lugar foi dividido pelo MI Sandro Mareco, da Argentina, e o MI André Diamant, ambos com 7/7.

   Sobre minha participação: joguei um bom torneio e boas partidas, até os lances finais da sétima rodada. Havia conduzido bem uma partida interessante contra Mareco, que eu enfrentava na mesa 1. Infelizmente, cometi inúmeros erros no apuro em uma posição ganha e fui derrotado, terminando em quinto lugar.

   Começou o torneio de Linares. É curioso notar que o ritmo de jogo deste ano não contém incerementos de tempo a cada lance. Não sei bem o motivo disso, mas com certeza a qualidade das partidas irá cair. Das partidas que olhei até agora, destaco a cirúrgica vitória do Anand contra o Radjabov, na primeira rodada, em uma posição bem próxima da igualdade, e a derrota desse mesmo Anand contra Aronian, na segunda. Não analisei profundamente a partida, mas me parece que o indiano tinha vantagem e que seu sacrifício de peão na abertura é posicionalmente correto.

   Já Kamsky provou mais uma vez ser um verdadeiro lutador. No momento em que estas linhas são escritas, ele acaba de derrotar Topalov na quarta partida do match. Sei que muitos o julgavam aniquiliado depois da segunda partida, mas o duelo está agora completamente aberto. Será que Topalov tem um poder de encaixe tão grande quanto seu adversário? Veremos nos próximos dias...

 

Saudações,

Rafael



Escrito por axrl às 16h57
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Corus, Itú e Bastidores do Brasileiro

 

   Terminou de forma modesta a participação de Mequinho no Torneio de Corus. Surpreendeu-me sua derrota para Kasimdzhanov em um final empatado, pois a técnica é um dos seus pontos fortes. Empates contra fortes adversários nas últimas rodadas implicaram uma perda modesta de rating. Faltou agressividade ao brasileiro durante o torneio. É possível unir um repertório e estilo de jogo sólidos à sede de vitória, mas a impressão que tive é que Mequinho procurava deliberadamente o empate em todas as partidas. Essa estratégia não é adequada contra enxadristas jovens e talentosos, que não aceitam empate e que colocam pressão a todo instante.

   Karjakin saiu vitorioso no torneio A, após vencer uma dramática partida contra Dominguez na última rodada. Durante a partida gostava muito da posição do cubano. O plano com g4 seguido de h4 foi profundo e correto, dando forte iniciativa ao branco. Mas Karjakin manejou melhor as complicações e conseguiu um título que não deixa de ser surpreendente. No B Short estragou seu torneio ao perder uma posição ganha contra Caruana, que acabou levando o título. No C, merecidíssima vitória do jovem filipino Wesley So.

   No calendário nacional, neste domingo teremos uma interessante etapa de 21 minutos em Itú, com boa premiação. O evento estará lotado, com participação de mestres e grandes mestres.

   A nota final deste post é bem negativa e mostra o descaso de alguns organizadores com os enxadristas profissionais do país. Em uma crônica anterior, citei alguns erros da organização da Final do Brasileiro Absoluto, realizada em Porto Alegre. Talvez o erro mais grave de todos - durante a competição - tenha sido a forma como alguns dos organizadores do evento trataram os participantes. Para ilustrar, cito que, por ter reclamado da alimentação insuficiente oferecida aos jogadores durante um dos almoços, fui agredido verbalmente por um organizador cinco minutos antes do início da segunda rodada. Mas problemas maiores estavam por vir. A cerimônia de encerramento, para surpresa de todos e fato inédito em minha carreira, transcorreu sem qualquer menção à premiação dos jogadores. Atônitos, tivemos que procurar o Presidente da FGX na ocasião, Sr. Ladir Brandt, para maiores explicações. Este nos solicitou os dados bancários para depósito futuro (em uns "dois dias"). Isto em si já é um absurdo completo, pois é dever de qualquer organizador pagar a premiação ao término do evento. Lamentavelmente, a imensa maioria dos participantes ainda não viu a cor do dinheiro até agora, o que caracteriza um calote de uma antes prestigiada Federação e justo no principal torneio do ano. Espero que as medidas legais sejam tomadas para que essa situação não se repita no futuro.


    Saudações,

   Rafael Leitão



Escrito por axrl às 22h20
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Rafael dá autógrafos na Sibéria.



Escrito por axrl às 10h46
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Do Baú

Há alguns dias...

 

 

Nicolau Leitão



Escrito por axrl às 12h14
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Do Baú

Segundo título mundial: Menorca-ESP, 1996.

 

Nicolau Leitão



Escrito por axrl às 10h59
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Corus - Atualização

 

   O torneio de Corus, em Wijk aan Zee, chega à sua reta final. No Grupo A, Aronian agora é o líder, depois de duas vitórias consecutivas: de pretas contra Kamsky - em uma Berlinesa onde a posição preta sempre era do meu agrado - e de brancas contra Adams, em uma Catalana. Essas partidas refletem bem o estilo do armeno - solidez e técnica de primeira grandeza, aliadas a um repertório fixo e bem trabalhado, misturadas com um quê de criatividade. Levon é o favorito ao título.

   O jogador que esteve muito próximo de derrotá-lo foi Carlsen, há algumas rodadas. Falando no norueguês, hoje ele obteve sua primeira vitória, contra o então invicto e co-líder, Lenier Dominguez. Carlsen certamente merecia mais pontos do que tem agora. Sem forçar muito a memória, lembro que deixou escapar posições vantajosas contra Radjabov, Aronian e Karjakin. É custoso lembrar a última vez que Magnus teve uma má atuação.

   No Grupo B, Mequinho conseguiu aliviar um pouco o mau resultado com dois empates, de brancas contra Short (onde entrou em um final um pouco melhor, mas terminou na defensiva) e de pretas contra Volokitin, quando finalmente a espanhola sobreviveu. Short continua na liderança, mas apenas meio ponto à frente de um pelotão. Meu palpite é que ele não segura a liderança até o final.

   No Grupo C, a briga é entre Hillarp e So. Tudo indica que o confronto direto indicará o campeão.

   Saudações,

Rafael Leitão

 



Escrito por axrl às 22h23
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Do Baú

 

Inauguramos a sessão com a foto do primeiro título mundial (Varsóvia-POL, 1991).

Destaque para o vice-campeão: Peter Leko!

 

Nicolau Leitão



Escrito por axrl às 10h43
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Volta à rotina

 

   Depois de um longo período de ausência, motivado inicialmente por uma moleza inerente ao período de férias e posteriormente pelos ossos do ofício, este blog volta aos comentários.

   O torneio do momento é Corus, na Holanda. Ainda não analisei as partidas de nenhum grupo detalhadamente, mas o que me chama a atenção até agora é o equilíbrio do grupo A. Muitos empates, nenhum claro favorito ao título mesmo no meio do torneio. Isso é mais prova de quão equilibrado está o xadrez de alto nível. Outra surpresa do A é o fato de Morozevich ter virado saco de pancada, apresentando um xadrez pouco menos que medonho. O ataque que ele dispensou numa Caro Kann contra o Movsesian pode render boas risadas.

   A participação de Mequinho no Grupo B não é boa até agora. Minha sensação é que para enfrentar esses jovens sedentos por vitória é preciso incomodá-los mais, abrir um pouco mais o jogo, mesmo que se escolha uma linha sólida. Uma boa recuperação veio com a vitória contra Sasikiran.

   Tentarei aproveitar os próximos dias para olhar todas as partidas e opinar com mais precisão sobre os acontecimentos.


   Saudações!

 

   Rafael Leitão



Escrito por axrl às 10h47
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Brasileiro da Internet

  

   Na tarde de domingo, dia 22, ocorreu o último evento importante do ano. O Campeonato Brasileiro da Internet distribuiu uma excelente premiação e foi jogado em um formato muito atraente para os expectadores virtuais. Jogado em matches eliminatórios, em um ritmo de 3 minutos com 1 segundo de acréscimo, era garantia de sangue em todas as rodadas. Relato agora a minha participação no evento.

  Enfrentei na primeira rodada Juliano Resende, com quem já fiz sessões de treinamento há algum tempo. O resultado foi 1,5 - 0,5 para mim, depois de um empate na primeira partida. A partida decisiva contou com um arremate interessante:

Pigzilla x Juliano

   Aqui ganhei material com a sequência: 25.Te8+ Txe8 26.Cxe8 Df8 27.Dxg7+ Dxg7 28.Cxg7 Rxg7 29.d6! Bc8 (se 29...Bxg2 30.d7+-) 30.Bc6+-.

   Na segunda rodada enfrentei Everaldo Matsuura. A primeira partida foi uma batalha posicional em uma Semi-Eslava, na qual acabei levando a melhor. Na segunda chegamos a um final empatado que venci quando Matsuura tentou forçar.

   O terceiro match foi contra Fier, reconhecido por sua velocidade em torneios relâmpago, além de sua destreza com o mouse, teclado e afins. Escapei de uma posição inferior na primeira partida e acabei vencendo uma Pirc obscura na segunda. Fier partiu com tudo de pretas na terceira em uma Botvinnik, mas acabei vencendo e concluindo o match.

   A final foi contra Mequinho, que além de fortíssimo enxadrista é especialista em blitz no ICC, já tendo sido número 1 do clube há alguns anos. Na primeira partida tudo caminhava para o empate, mas então deixei escapar um perpétuo e acabei em um final com peão a menos. Apesar das chances de empate, esse final é difícil de defender contra um adversário rápido. Acabei pendurando a dama na seguinte posição:

Pigzilla x Lorenzo

   73.Rg3?? Dg1+ 74.Rh3 Dh1+ 0-1

   Na segunda partida resolvi arriscar uma Benoni, mas o tiro saiu pela culatra. Mequinho estava bem preparado e montou uma posição vantajosa. A situação parecia desesperada na posição do seguinte diagrama (ATENÇÃO: as análises seguintes não foram checadas com qualquer engine!!)

Lorenzo - Pigzilla

   Sem encontrar coisa melhor, decidi arriscar: 20...Cxe5 21.Bxe5 b4!? 22.Bxf6 bxa3 (aqui transparece minha idéia: se 23.Be7+ Rg8 24.Bxd6 axb2, recuperando o material). Mequinho escolheu 23.Bxg7+ Rxg7 24.bxa3, mas empatei o final sem grandes problemas.

   Na terceira partida repetimos a abertura da primeira, mas dessa vez consegui grande vantagem no meio-jogo e venci. A quarta foi uma Índia da Dama que empatou sem grandes emoções. O torneio seria definido na "morte súbita". Escolhi jogar de brancas, com vantagem de 1 minuto, mas tendo que vencer. Mequinho escolheu uma Ortodoxa, gastou muito tempo na abertura, mas mesmo assim não consegui qualquer vantagem. Fiqeui perdido mas consegui recuperar, até a partida descambar para um apuro frenético em que não havia tempo para calcular mais nada. Pelo menos eu não conseguia, mas meu adversário desferiu alguns golpes táticos e jogou com impressionante rapidez para vencer e sagrar-se campeão do torneio.

   Parabéns ao Mequinho e boa sorte no difícil torneio de Wijk aan Zee B. Agora é hora de curtir umas férias em São Luís, no Maranhão... Boas festas de fim de ano a todos!



Escrito por axrl às 14h41
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Brasileiro - Crônica Final 

    

     Considerações Gerais - Muito aconteceu desde a última crônica que escrevi sobre o Campeonato Brasileiro. O fato é que é extremamente difícil atualizar um blog ao mesmo tempo em que se disputa uma competição. Palmas incessantes de dois minutos ao Krikor, que consegue não só fazer isso, mas disponibilizar informações gerais, análises, posições no live ratings e tudo o mais. Um jogador profissional durante uma competição caminha em um estado de permanente tensão que dificilmente permite manifestações de criatividade em outras esferas que não a puramente enxadrística, salvo honrosas exceções. Da minha parte devo admitir que não consigo, mas tentarei saldar essa pequena dívida com uma crônica mais extensa que de costume, analisando tudo o que aconteceu no tabuleiro e também na organização do torneio. Já adianto que houve emoção e reviravolta em ambos os tópicos.

     Como se sabe, o torneio terminou em uma surpreendente vitória para o jovem MI André Diamant. Surpreendente por sua posição antes do torneio, não pelo xadrez apresentado, já que ficou claro desde a primeira rodada que ele teria presença destacada. Mas reservei um tópico inteiro mais adiante para comentar o título de Diamant. Comecemos antes com comentários mais dolorosos para este que vos escreve.

 

     Minhas partidas - Minhas chances de vitória foram desperdiçadas em dois momentos. O primeiro, e de impacto menor, foi o meu final com o Giovanni, na sétima rodada. Já estava claro naquele momento que meu adversário havia se recuperado da derrota contra Gattass e que era um sério candidato ao título, novamente. Em princípio, um empate de pretas seria um bom resultado. Após defender uma posição um pouco inferior durante o meio-jogo, obtive boas chances de vitória em um final de torre e cavalo x torre e bispo. Mas o apuro de tempo e uma mentalidade defensiva (é difícil jogar com tudo para ganhar depois de um tempo na defesa) me impediram de encontrar as continuações mais perigosas, em um final que era perigosíssimo para as brancas. O outro momento fatídico veio na penúltima rodada, contra Darcy Lima. Nosso conhecimento de abertura não foi exemplar, para dizer o mínimo, pois repetimos uma variante de abertura que está refutada para o preto há 30 anos, desde o match Karpov - Korchnoi. Infelizmente, mesmo tendo estudado detalhadamente essa partida quando criança, fui incapaz de me lembrar das análises e joguei muito mal. Caí em posição inferior mas Lima não jogou do jeito mais preciso. Em um dado momento eu poderia forçar o empate, mas não vi e entrei em um final inferior, que não consegui defender. A partida final joguei com o ânimo apenas de "cumprir tabela" e acabei empatando rápido com o Krikor, em uma posição em que ainda havia muita luta.

 

     Sobre o Campeão - André Diamant é certamente o enxadrista brasileiro que mais progrediu em 2008. Basta comparar sua performance nesse brasileiro com o do ano passado. Ou com o torneio fechado realizado na Hebraica, ou em Santos. A viagem à Europa parece ter sido um divisor de águas em sua carreira.

     Além disso existe uma aura que cerca um jogador em determinados eventos. O mesmo me aconteceu, por exemplo, em 96, quando fui Campeão Mundial Infanto-Juvenil. Um bom ambiente, a sensação liberadora de não ter nenhuma responsabilidade, confiança total durante as partidas. Quando conseguiu sua segunda norma de GM, ao empatar comigo na nona rodada, toda responsabilidade havia ficado para trás e Diamant pôde concentrar suas forças em buscar o título.

     A dramática partida final, contra Giovanni, só pode ser explicada pela aura. Primeiro é preciso parabenizar o número 1 do Brasil por sua brilhante recuperação no torneio. Não é fácil jogar e conciliar a agenda de candidato à CBX, que dirá se recuperar do duro golpe que é perder para o último colocado (coisas do destino: Gattass, companheiro de quarto de Diamant, só fez esse ponto).

     A partida esteve sempre no controle das pretas (Giovanni), em um tipo de posição que ele conduz muito bem (contra-ataque, que exige cálculo concreto e preciso). Certamente a posição estava ganha em algum momento. Enquanto todos davam como certa a vitória, um erro de cálculo no final fez a partida virar, e Diamant cordialmente aceitou uma oferta de empate em posição ganha (para desespero de Fier, que perdeu com isso a segunda colocação). Foi um título merecido, coroando um ano espetacular. Jogar na sinagoga fez muito bem ao Diamant... ou será que a sorte veio com o quipá que ele começou a usar no final do torneio?

 

     Notas sobre a organização do torneio - No que diz respeito às condições de hotel e premiação, deve-se tecer grandes elogios aos organizadores do Brasileiro. O quarto do Master Express é sem exagero um dos melhores que já fiquei em toda a minha carreira. A premiação também foi elevada e deve-se ressaltar o torneio de blitz realizado no último dia, que distribuiu fartos prêmios para um evento de poucas horas. Entretanto, é preciso fazer algumas críticas para que as condições melhorem ainda mais. Alguns pequenos detalhes ficaram aquém do desejado, provavelmente por falta de experiência da Federação Gaúcha em torneios deste porte. Todos eles simples de resolver, se comparados com as questões mais difíceis de hotel e premiação, mas que somados causam um certo desconforto aos jogadores. Os pontos de desagrado estão na falta de um meio de locomoção dos jogadores até o salão de jogos, que ficava a seis quadras do hotel (fazer exercício é bom, mas num calor de 40 graus nem tanto, se chover menos ainda); o calor extenuante que muitas vezes foi sentido no salão de jogos (por razões que desconheço, o ar-condicionado raramente era ligado); não ter sido oferecido aos participantes pocket money para a comida, o que nos forçava a comer nos locais e horários escolhidos pela organização; e no fato de não ser disponibilizado um quarto de hotel para os jogadores que chegaram um dia antes e que saíram um dia depois, o que é praxe em torneios fechados desta envergadura.

     Tenho convicção que a Federação Gaúcha se esforçará para resolver essas pequenas questões da próxima vez. Um agradecimento especial vai para Eduardo Medeiros, sempre cordial e próximo dos participantes.

 

     Considerações Finais - Este foi o torneio mais importante do nosso calendário em 2008. Agora entramos em férias, brevemente interrompidas pelo Campeonato Brasileiro da Internet. O ano termina com um saldo positivo para o xadrez nacional, com diversas forças da nova geração aparecendo e incomodando os grandes-mestres que antes tinham pouca concorrência. Tudo isso contribui para que todos se esforcem e tentem jogar cada vez melhor. É bem provável que em 2009 tenhamos pelo menos dois novos grandes-mestres. Meus votos de que a nova presidência da CBX saiba fomentar esta evolução do xadrez brasileiro.

 

 



Escrito por axrl às 16h44
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Depois do churrasco do dia livre...

Fonte: Blog do IXC


Rafael segue líder em número de pontos.

Giovanni se recupera.

Diamant faz segunda norma de GM.

Os três somam 6,5 pontos.

Final segue indefinida.

Façam suas apostas!




Escrito por axrl às 16h11
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